VCS VENDO E EU JOGANDO hordes of hunger
- há 20 horas
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Primeiras Impressões: Hordes of Hunger – Um Banquete de Ação que Ainda Está Cru
Hordes of Hunger chegou ao Acesso Antecipado da Steam prometendo saciar a fome dos fãs do gênero survivorlike com uma proposta ousada: pegar a fórmula viciante de Vampire Survivors e misturar com combate ativo em 3D e uma estética de fantasia sombria digna de Dark Souls. Desenvolvido pela Hyperstrange (responsável pelo elogiado Blood West) e publicado pela Kwalee, o jogo me colocou na pele de Mirah, uma guerreira ressuscitada para enfrentar "A Besta" e suas hordas intermináveis.
Após muitas horas enfrentando essas criaturas, fica claro que Hordes of Hunger tem uma base sólida e um coração de ouro, mas ainda está longe de ser um banquete completo. A sensação é a de um prato principal incrivelmente saboroso servido em uma mesa suja, com talheres faltando e um garçom que insiste em atrapalhar sua refeição.
🎮 A Gameplay: O Peso do Aço que Cativa
Se tem uma coisa que o jogo acerta de primeira, é a sensação do combate. Diferente da maioria dos survivorslikes onde você é um ímã de XP passivo, aqui você está no controle total da Mirah.
Controle Ativo: Você desfere ataques leves e pesados, esquiva, pula e executa habilidades especiais. As armas (espadas, martelos, lanças) têm peso e ritmo distintos. Sentir o impacto de um martelo esmagador ou a agilidade de uma lança é genuinamente divertido .
Arco de Poder: A transição de "vítima frágil" para "corta-relva de zumbis mágico" é viciante. Quando você combina as melhorias certas, a tela explode em efeitos elementais e o caos se instala .
Risco vs. Recompensa: O sistema de Santuário é um dos pontos altos. A cada dois objetivos, você pode escolher entre recuar e guardar seus recursos ou continuar e arriscar tudo. Isso guma tensão genuína que te prende na "só mais uma run" .
No entanto, o jogo atira no próprio pé. O sistema de parry, que deveria ser o ápice da maestria, é frustrante. A janela de defesa é minúscula, e errar te prende em uma animação longa que, cercado por dezenas de inimigos, é sentença de morte . Pular também te deixa vulnerável por tempo demais.
🖼️ Atmosfera e Narrativa: Linda por Fora, Vazia por Dentro
Visualmente, o jogo é um triunfo. A Unreal Engine 5 entrega cenários melancólicos e detalhados. Castelos em ruínas, florestas pálidas e igrejas corrompidas criam uma atmosfera de desespero que agrada de imediato .
O problema é que esse mundo é oco. A história começa interessante: Mirah foi trazida de volta à vida pelo pai através de magia proibida para salvar o reino. Mas a narrativa é contada em migalhas tão espaçadas que você se esquece do que estava acontecendo entre uma run e outra .
O exemplo mais triste disso? Uma missão onde você resgata um burro. Ao interagir com ele no acampamento, esperando alguma piada ou recompensa, a tela exibe apenas: "..." . É a metáfora perfeita para a narrativa: promissora na superfície, mas vazia por dentro.
⚖️ O Problema do Grind e do Equilíbrio
Aqui é onde o jogo mais divide opiniões e onde as primeiras impressões podem azedar rápido.
Prós:
Variedade de Missões: Nem tudo é "mate todos". Há escoltas, destruição de objetivos e até esconde-esconde, quebrando um pouco a monotonia .
Construções Divertidas: Builds de dano elemental (fogo, raio) são extremamente satisfatórias de ver em ação .
Contras (e são pesados):
A Câmera: É, de longe, o maior inimigo do jogo. Em espaços fechados ou perto de paredes, a câmera enlouquece, te deixando cego e causando mortes totalmente injustas. Em 2025, uma câmera problemática assim é difícil de relevar .
Progressão Lenta (Grind): A moeda do jogo (Penas) cai em quantidades mínimas, enquanto o custo dos upgrades aumenta exponencialmente. Para ficar forte, você precisa grindar de forma repetitiva e demorada. O que deveria ser prazeroso vira trabalho .
Falta de Variedade de Builds: Existe uma "build vencedora" clara (Vampiro + Raio). Enquanto isso, upgrades de ataque físico ou passivos simples são tão fracos que parecem perda de tempo. A diversidade de estratégias é baixa .
Conteúdo Repetitivo: Com poucas horas, você já viu os mesmos chefões e os mesmos tipos de inimigo diversas vezes. Os cenários, embora bonitos, são visualmente parecidos entre si .
🎯 Veredito das Primeiras Impressões
Hordes of Hunger é a definição de "amor e ódio".
Quando a magia acontece — você está desviando de ataques no último segundo, com a tela cheia de raios, martelos fantasmas e corpos explodindo — o jogo atinge um pico de diversão absurdo. Dá vontade de jogar "só mais uma". O problema é o caminho até lá.
No estado atual (Early Access), o jogo sofre de uma crise de identidade: quer ser um survivorlike casual e frenético, mas também um action RPG punitivo e técnico. O resultado é um meio-termo instável, repleto de pequenas decisões de design que irritam mais do que desafiam.
Vale a pena agora?
Sim, se: Você é viciado no gênero, já zerou tudo que existe e quer sentir a adrenalina do combate ativo. A base do jogo é divertida e o futuro parece promissor.
Não, se: Você tem paciência zero para câmeras ruins, grind excessivo e espera uma experiência polida e balanceada.
Nota (Estado Atual): 6.5/10 — Um guerreiro forte vestindo armadura de papelão. Aguardemos as atualizações para ver se vira o épico que promete ser.
Por Ramon de oliveira honorio



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